sábado, 8 de janeiro de 2011

Educação Inclusiva



Educação Inclusiva








Renata alves da silva
unaí - mg
2010






1 Introdução

A Educação Inclusiva é atualmente um dos maiores desafios do sistema educacional.
Os pressupostos da Educação Inclusiva fundamentam vários programas e projetos da educação.
Educação Inclusiva atenta a diversidade inerente à espécie humana, busca perceber e atender as necessidades educativas especiais de todos os sujeitos-alunos, em salas de aulas comuns em um sistema regular de ensino, de forma a promover a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de todos.

2 revisão bibliográfica

2.1 A importância da inclusão na educação

A América Latina caracteriza-se por ser a região mais desigual do mundo. As sociedades são altamente desintegradas e fragmentadas devido a persistência da pobreza e a grande desigualdade na distribuição de renda o que gera altos índices de exclusão. Todos os países vêm realizando importantes esforços para obter o acesso universal a Educação Básica e melhorar sua qualidade e eqüidade, porem, ainda persistem importantes desigualdades educacionais, o que significa que a educação não está sendo capaz, em muitos casos, de romper o circulo vicioso da pobreza, nem de ser um instrumento de mobilidade social. (GUIJARRO, 2005)
Por outro lado, o maior acesso, à educação tem significado uma maior diversidade de alunos na escola, porem, os sistemas educacionais seguem oferecendo repostas homogêneas, que não satisfazem as diferentes necessidades e situações do aluno, o que se reflete em altos índices de reprovação e evasão escolar, que afeta em maior medida às populações que estão em situação de vulnerabilidade. (GUIJARRO, 2005)

2.2 A inclusão é uma questão de direitos

A educação inclusiva aspira fazer efetivos o direito à educação, a igualdade de oportunidades e de participação. O direito de todas as crianças à educação encontra-se consagrado na Declaração dos Direitos Humanos e reiterado nas políticas educacionais dos países; porém, ainda existem milhões de crianças e adultos que não tem acesso à educação ou recebem uma de menor qualidade. Na região da América Latina e o Caribe, o conjunto de meninos e meninas com deficiência constitui um grupo importante para o qual esse direito tem que ser garantido em termos efetivos. (GUIJARRO, 2005)
O direito a participar implica que todos os meninos e meninas tenham direito a serem assistidos nas escolas de sua comunidade, participando nas atividades com todos seus companheiros e no currículo comum tanto quanto seja possível. Todos os meninos e meninas têm o direito a educarem-se em um contexto comum, que assegure sua futura integração e participação na sociedade. (GUIJARRO, 2005)
O direito à educação não significa somente acesso a ela, como também, que essa seja de qualidade e garanta que os alunos aprendam. O direito à educação é também o direito de aprender e desenvolver-se plenamente como pessoa. Para que isso seja possível é fundamental assegurar a igualdade de oportunidades, proporcionando a cada um o que necessita, em função de suas características e necessidades individuais. (GUIJARRO, 2005)
Finalmente, o direito à própria identidade significa assegurar a individualidade de cada sujeito na sociedade, respeitando a cada pessoa pelo que é, e reconhecendo sua liberdade e autonomia. A escola não somente é um espaço fundamental para transmissão da cultura e a socialização como também para a construção da identidade pessoal. (GUIJARRO, 2005)

2.3 A educação inclusiva e o desenvolvimento de valores de justiça

As escolas inclusivas favorecem o desenvolvimento de atividades de solidariedade e cooperação e o respeito e valorização das diferenças, o que facilita o desenvolvimento de uma cultura de paz e de sociedades mais justas e democráticas. (GUIJARRO, 2005)
A educação na diversidade é um meio essencial para desenvolver a compreensão mútua, o respeito e a tolerância, que são os fundamentos do pluralismo, a convivência e a democracia. Por isso, é fundamental que as escolas, que são instâncias fundamentais para a socialização dos indivíduos, ofereçam a possibilidade de aprender e vivenciar esses valores. (GUIJARRO, 2005)
Desde a educação se tem de promover de forma intencional a aceitação e valorização das diferenças de qualquer tipo para “aprender a viver juntos”, o que implica a compreensão do outro como “um outro válido e legítimo” e o desenvolvimento de novas formas de convivência baseadas no pluralismo, o entendimento mútuo e as relações democráticas. A percepção e a vivência da diversidade nos permitem, além disso, construir e reafirmar a própria identidade e distinguir-nos dos outros. O ser humano realiza-se plenamente como membro de uma comunidade e uma cultura, mas também no respeito a sua individualidade, pelo que outro aspecto fundamental da educação tem de ser “aprender a ser”. (GUIJARRO, 2005)

2.4 Mudanças no âmbito das políticas e dos sistemas educacionais

Políticas educacionais e intersetoriais e marcos legais que promovam a inclusão em todas as etapas educacionais. A educação inclusiva tem de ser uma política do Ministério da Educação em seu conjunto, porque implica uma transformação da educação como um todo. Porém, para assegurar a igualdade de oportunidades educacionais é fundamental desenvolver paralelamente programas econômicos e sociais que abordem parte das causas que estão no contrato social. (GUIJARRO, 2005)
Expansão e melhora da qualidade dos programas de educação e cuidado da primeira infância para garantir a inclusão desde os primeiros anos de vida. As crianças com deficiência e em situação de pobreza deveriam ser objetos de atenção prioritária nos programas da primeira infância. (GUIJARRO, 2005)
Maior flexibilidade e diversificação da oferta educativa proporcionando múltiplas opções para que os alunos possam concluir a educação básica em qualquer momento da vida. É necessário conciliar a consolidação da educação formal com geração de alternativas não convencionais que dêem respostas diferenciadas a distintos grupos como crianças nômades, crianças trabalhadoras, crianças de rua ou que vivem em zonas isoladas. Muitos desses alunos terminam abandonando a escola, devido à rigidez da oferta educativa, e ao desajuste entre suas condições de vida e a cultura escolar dominante. (GUIJARRO, 2005)
Currículo amplo e flexível que se possa diversificar e adaptar às diferenças sociais, culturais e individuais. O currículo tem de ser significativo e pertinente para todos os alunos e alunas e não somente para àqueles das escolas e culturas predominantes. Isso significa assegurar uma aprendizagem básica para todos, e adaptar e diversificar o currículo para dar resposta à diversidade de necessidade educacionais do aluno. (GUIJARRO, 2005)
Transformar os sistemas de evolução da qualidade da educação para que considerem as diferenças sociais, culturais e individuais. Uma das barreiras mais importantes que enfrenta a educação inclusiva na região, diz respeito aos sistemas nacionais de evolução da qualidade, baseados fundamentalmente nos ganhos de aprendizagem dos alunos que, em alguns casos, estabelecem um ranking ou comparação entre escolas que têm condições de partida muito diferentes. Essa situação leva que muitas escolas, especialmente as privadas, excluem àqueles alunos que podem ter menos nível de ganho e, portanto podem baixar a classificação da escola. (GUIJARRO, 2005)
Disponibilidade de recurso de apoio para todos os que requeiram. Os professores necessitam apoio para afrontar o desafio de uma escola inclusiva. A maioria dos países contam com uma série de serviços de apoio a escola que são de capital importância para o êxito das políticas educacionais inclusivas. Esses serviços têm de centrar sua intervenção não tanto aos alunos concretos, senão a escola em seu conjunto, orientando aos professores e às famílias para que sejam cada vez mais capazes de atender às necessidades das crianças. (GUIJARRO, 2005)
Formação docente inicial em serviço. A nova perspectiva e a pratica da educação inclusiva implicam mudanças substanciais na pratica educativa. Consequentemente, a formação é uma estratégia fundamental para contribuir para essas mudanças. Todos os docentes têm que ter conhecimentos básicos teórico-práticos em relação __ à atenção a diversidade, a adaptação do currículo, a evolução diferenciada e às necessidades educacionais mais relevantes, associadas a diferentes tipos de deficiência, situações sociais ou culturais. (GUIJARRO, 2005)
Aumentar o financiamento em educação e utilizar estratégias de discriminação positiva. É preciso que os governos garantam a igualdade de oportunidades e as condições básicas que assegurem o adequado funcionamento de todas as escolas em termos de recursos humanos, materiais e didáticos. (GUIJARRO, 2005)

 2.5 Mudanças na prática educacional

Transformar a cultura das escolas para que se convertam em comunidades de aprendizagem e de participação. A inclusão tem de ser um projeto de toda a comunidade educacional e requerer a participação dos pais e da comunidade, já que somente e na medida que seja um projeto coletivo se assegurará que toda a comunidade educacional se responsabilize pela aprendizagem e a participação de todos os alunos. Para garantir a aprendizagem e a participação de todos os alunos, é necessário um trabalho colaborativo entre os professores, entre professores e pais, professores e especialistas e entre os próprios alunos. (STAINBACK, 1999)
Prestar especial atenção aos aspectos afetivos e emocionais: escolas amigáveis. Tem que dar apoio a todos os alunos, valoriza-los e ter altas expectativas a respeito de sua aprendizagem, já que muitas vezes, os professores têm preconceitos que condicionam os resultados dos alunos. Os professores têm que ter claro, que todas as crianças podem aprender e utilizar todos os meios ao alcance de todos que tenham êxito. (STAINBACK, 1999)
Enfoques metodológicos e materiais didáticos que facilitem a aprendizagem e a participação de todos os alunos. A questão central é como organizar as situações de ensino para garantir o maior grau possível de interação e participação de todos os alunos, sem perder de vista as necessidades concretas de cada um. A resposta à diversidade implica a utilização de uma ampla variedade de estratégias metodológicas e a adaptação das tarefas de aprendizagem às possibilidades dos alunos. (STAINBACK, 1999)
Critérios e procedimentos flexíveis de avaliação e promoção. Uma questão crucial é como conciliar um ensino respeitoso das diferenças e dos processos individuais de aprendizagem, com uma avaliação que acaba sendo igual para todos. Dada a perspectiva de uma educação inclusiva, o fim da avaliação não é classificar ou rotular os alunos, mas como identificar o tipo de ajudas e recursos que precisam para facilitar seu processo de ensino-aprendizagem e de desenvolvimento pessoal e social. (STAINBACK, 1999)

2.6 O rol da educação especial no enfoque da inclusão

A perspectiva da inclusão significa avançar para um único sistema educacional que seja mais diversificado, superando a atual separação entre programas e modalidades diferenciados, orientados a diferentes grupos. (STAINBACK, 1999)
Garantir que todas as crianças, jovens e adultos tenham direito à educação, sem exceção, e que seja de qualidade, é uma responsabilidade do Ministério da Educação, em seu conjunto. Não obstante, existem necessidades educacionais especiais cuja satisfação requer a entrada em cena da educação especial, para garantir que isso seja possível. Dada essa perspectiva, a educação especial deveria atender àquelas necessidades educacionais que requerem seus conhecimentos, técnicos e recursos humanos especializados, seja quem for que as apresente. Isso significa que é um complemento para a garantia dos fins da educação, já que sua finalidade é apoiar todos aqueles que, por diferentes causas, experimentam dificuldades de aprendizagem e de participação, para que obtenham um maior grau possível de desenvolvimento, aprendizagem e participação. (STAINBACK, 1999)
Atualmente, existe uma boa porcentagem de alunos que requerem os recursos e ajudas que podem proporcionar a educação especial, mas pelo fato de não apresentarem uma deficiência, não as recebem, o que significa que estão vulnerando seus direitos. Boa parte desses alunos, ao não receberem oportunamente os apoios necessários, vão se afastando cada vez mais do currículo correspondente a sua idade, o que repercute em seus níveis de ganho e auto-estima, e muitas vezes terminam abandonando a escola. (STAINBACK, 1999)
A educação especial não é sinônimo de escola especial, já que também se pode utilizá-la em escola comum. O progressivo avanço da inclusão também significa reconsiderar o rol das escolas especiais, já que estas cada vez escolarizam menos alunos e com deficiências mais severas. A tendência mundial é que os centros de educação especial convertam-se em centros de recursos à comunidade e às escolas comuns. (STAINBACK, 1999)

3 CONCLUSÃO

É necessário de continuar a reforçar o desenvolvimento de um modelo de Educação Inclusiva como caminho inovador, necessário e positivo para a melhoria da Educação para todos os alunos.
A Educação Inclusiva é uma reforma educacional que tem por objetivo a melhoria e promoção do acesso e a eliminação da exclusão. Esta reforma é vista atualmente no âmbito dos direitos educativos dos alunos e deve portanto ser assumida no âmbito da políticas educativas globais e não apenas por um setor ou um grupo.
Continuo acreditando em uma educação pautada na cooperação, na criatividade, na reflexão critica, na solidariedade e preparada para atender a uma diversidade maior de alunos tendo que se adaptar as metodologias diferenciadas e na busca de reconhecimento do outro independente de suas condições sociais, intelectuais ou físicas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARDOSO, Maria Cecília Negrini, Ensaios pedagógicos – construindo escolas inclusivas,1 ed. Brasília: MEC, SEESP, 2005
STAINBACK, Susan, Inclusão um guia para educadores, Artmed, 1° ed. Porto Alegre, 1999.

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