terça-feira, 26 de julho de 2011

Educação de Jovens e Adultos


EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - EJA


1 Introdução

A educação de jovens e adultos é uma forma de ensino que tem amparo em legislação própria, este ensino é direcionado para pessoas que não tiveram acesso, por algum motivo a educação básica na idade certa. Porém, são pessoas que não tem cultura própria. Sabemos que o papel do professor é de extrema importância no processo de reingresso do aluno às turmas do EJA. Por isso, o professor da EJA deve também ser um professor especial, capaz de identificar o potencial de cada aluno. As características do professor da EJA é muito importante para o processo de aprendizagem do aluno adulto que vê o professor como espelho.
É preciso que a sociedade compreenda que alunos da EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha, discriminação, criticas dentre tantos outros. E que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade.
A EJA é uma educação possível e capaz de mudar e muito a vida de uma pessoa, permitindo-lhe escrever sua história de vida.
Sabemos que educar é muito mais que reunir uma quantidade de pessoas em uma sala de aula e passar um conhecimento pronto. É papel do educador, em especial do professor do EJA, compreender melhor o educando e sua realidade do dia a dia. É acreditar nas possibilidades do ser humano, buscando seu crescimento pessoal e profissional.
Questiona-se que a qualidade de ensino esta diretamente ligada à preparação do professor, que terá de se qualificar para atuar junto às turmas de educação de jovens e adultos tal qualificação deve ser reconhecida e valorizada uma vez que esta modalidade de ensino acolhe jovens e adultos que não tiveram oportunidade de estudar no ensino certo, e a busca do reconhecimento da importância da EJA é acima de tudo compreender que se faz acabar com o analfabetismo e não o analfabeto.

2.2 Contribuições de Paulo Freire, no processo de formação da educação de jovens e adultos.

Partindo desses ideais, de democratização e socialização, surge um defensor da Educação de Jovens e Adultos, Paulo Freire quem, nos anos 50, desafiou o mundo através de suas propostas, para Freire (1987. p.81) “Aprender a ler e escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação dinâmica que vincula linguagem e realidade”.
A proposta de Paulo Freire baseia-se na realidade do educando, levando-se em conta suas experiências, suas opiniões e sua história de vida. Esses dados devem ser organizados pelo educador, a fim de que as informações fornecidas por ele, o conteúdo preparado para aulas, a metodologia e o material utilizados sejam compatíveis e adequados a realidades presentes. Educador e educando devem caminhar juntos, interagindo durante todo o processo de alfabetização. É importante que o adulto alfabetizado compreenda o que esta sendo ensinado e que saiba aplicar em sua vida o conteúdo aprendido na escola.
Segundo (Freire, 2002, p.58) a relação professor-aluno deve ser:
Para ser um ato de conhecimento e processo de alfabetização de adultos demanda, entre educadores e educandos uma relação de autênticos diálogos. Aquelas em que os sujeitos do ato de conhecer (educador-educando; educando-educador) se encontram mediatizados pelo objeto a ser conhecido. Nessa perspectiva, portanto, os alfabetizandos, assumem, desde o começo mesmo da ação, o papel de sujeitos criadores. Aprender a ler e escrever já não é, pois, memorizar sílabas, palavras ou frases, mas refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem.
O chamado “método” Paulo Freire tem como objetivo a alfabetização visando a libertação. Essa libertação não se dá somente no campo cognitivo, mas, deve acontecer essencialmente, nos campos sócio-cultural e político, pois o ato de conhecer não é apenas cognitivo, mas, político e se realiza no seio da cultura.
A visão ingênua de que os indivíduos têm da realidade, torna-os escravos, na medida em que, não sabendo que podem transformá-la, sujeitam-se a ela. Essa descrença na possibilidade de intervir na realidade em que vivem é alimentada pelas cartilhas e manuais escolares que colocam homens e mulheres como observadores e não como sujeitos ativos da realidade.
Diante desta visão política e inovadora, surgem no país novos programas para a educação de jovens e adultos, mas não vem respondendo o esperado pelos governantes, fugindo da política inovadora de Freire e de outros teóricos que contribuíram para a formação dos jovens e adultos sem credibilidade, tornado-se desinteressante para os que buscam recuperar o tempo escolar perdido, professores despreparados, desestimulados, sem visão dos programas e de seus objetivos, crescendo cada dia de maneira desordenada, a evasão e a repetência, por falta da consciência política e moral dos alfabetizadores, que não possuem o senso de visão que a escola é o local de progressão e evolução para a vida profissional daquele estudante trabalhador sofrido e excluído da sociedade na qual ele mesmo tenha tentado se excluir.
A educação de adultos torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto conseqüência do exercício da cidadania como condição pára uma plena participação na sociedade. Além do mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do desenvolvimento socioeconômico e cientifico além de um requisito fundamental para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao dialogo e à cultura de paz baseada na justiça (Declaração de Hamburgo sobre a Educação de Jovens e Adultos, V CONFINTEA, UNESCO, 1997, p. 42).

2.4 A evolução do sistema educacional brasileiro e a educação de jovens e adultos: uma proposta de inovação educacional

O sistema de educacional brasileiro esta organizado em dois grandes níveis: a Educação Básica e o Ensino Superior. A Educação Básica é subdividida em Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. A organização da educação básica é flexível para atender aos jovens e adultos e pessoas com deficiência. A educação Profissional é opcional e complementar a Educação Básica, podendo ser cursada concomitatenmente ou posteriormente á mesma.
O sistema de ensino brasileiro admite a participação da iniciativa privada, mas sua oferta publica e gratuita no nível fundamental é direto dos cidadãos e dever do estado.
Os direitos educativos dos brasileiros são assegurados pela Constituição Federal de 1988. O artigo 208 da Constituição tornou direito publico subjetivo do cidadão e obrigação do Estado oferecer educação fundamental independente da idade. Para atender a este e outros objetivos, a Constituição ainda apresenta o Artigo 211 distribui responsabilidades e estabelece o regime de colaboração entre as três esferas de governo, o Artigo 212 vinculou recursos fiscais, e o Artigo 214 previu a elaboração de Planos Nacionais de Educação de duração plurianual.
Por via de regra, a organização do sistema de ensino foi detalhada na Lei 9394 de Diretrizes e Bases da Educação (1996), e as metas plurianuais fixadas na Lei 10.172 do Plano Nacional de Educação.
A organização nacional determina que a oferta gratuita do ensino público seja compartilhada entre as três esferas do governo atribuindo aos municípios à responsabilidade, pela Educação Infantil, e pelo Ensino Fundamental e Médio. O governo Federal tem a responsabilidade pelo Ensino Superior e por algumas escolas técnicas de nível médio, participa muito pouco do Ensino Básico. Tem, no entanto uma importante função redistributiva dos recursos e exerce um papel fundamental na orientação, coordenação e aplicação das políticas educacionais dos outros níveis de governo. Assegurando o ideário de um ensino de qualidade a todos os seus cidadãos.
Tratando da Educação de Jovens e Adultos, os direitos educativos destes, estão assegurados no capitulo III, Seção I – da Educação da Constituição Federal, Artigo 208, inciso I que garante a provisão pública de “ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, para todos que a ele não tiveram acesso na idade própria”.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) contempla a escolarização básica desse grupo social na seção V do capitulo II, da Educação Básica, que determina aos sistemas de ensino a garantia de cursos e exames que proporcionem oportunidades educacionais, apropriadas aos interesses condições de vida e trabalho dos jovens e do adulto. Estipula ainda que o acesso e permanência dos trabalhadores na escola seja viabilizadas e estimuladas por ações integradas dos poderes públicos.
Sobre o tema, a Lei 10.172/2001 do Plano Nacional de Educação (PNE) definiu 26 metas anual para o decênio 2001-2011, entre elas: alfabetizar em cinco anos dois terços da população analfabeta, de forma a erradicar o analfabetismo em uma década, assegurar, em cinco anos, a oferta do primeiro segmento do Ensino Fundamental para 50% da população com mais de 15 anos que não tenha atingido este nível de escolaridade, atender no segundo segmento do ensino fundamental toda a população com mais de 15 anos que tenha concluído a etapa precedente; dobrar em cinco anos, e quadriplicar em dez anos o atendimento de Jovens e Adultos do Ensino Médio.
A educação escolar de jovens e adultos no Brasil compreende ações de alfabetização, cursos e exames supletivos na etapa de ensino fundamental e médio bem como processos de educação à distância. Embora a Constituição assegure o ensino fundamental público e gratuito em qualquer idade, a oferta de serviços de escolarização de jovens e adultos é reduzida, situando em patamares muito inferiores à demanda potencial.
Em se tratando ainda sobre uma questão de ensino continuado, temos, então, uma situação muito melindrosa no que tange o funcionamento do sistema educacional referente à continuidade das ações governamentais com o intuito de assegurar a consolidação de programas que venham erradicar os problemas relacionados à alfabetização no Brasil, hoje, com O Programa Brasil Alfabetizado, que foi criado para ter duração de quatro anos – enquanto durar a gestão do governo Lula. Contudo, se este apresentar bons resultados, nada impede que o próximo presidente dê continuidade a este programa. Programas com bons resultados, deveriam ser adotados pelos governos seguintes, evitando assim, perdas de dinheiro e na criação de novos programas, como vem acontecendo ao longo dos anos: mudam o presidente, mudam os programas. O que deve ocorrer é a soma de um programa que já está dando certo com outro que venham aumentar os índices de eficiência, promovendo o desenvolvimento social.
A Educação de Jovens e Adultos deve ser tratada juntamente com outras políticas publicas e não isoladamente.
Mesmo reconhecendo a disposição do governo em estabelecer uma política ampla para EJA, especialistas apontam a desarticulação entre as ações de alfabetização e a questão de formação do educador. Prioridade concedida ao programa recolocar a colocação de jovens e adultos no debate da agenda das políticas publicas, reafirmando, portanto, o direito constitucional ao ensino fundamental, independente da idade. Todavia o direito a educação não se reduz à alfabetização. A experiência acumulada pela historia da EJA nos permite reafirmar que intervenções breves e pontuais não garantem um domínio suficiente da leitura e escrita. Alem da necessária continuidade do ensino básico, é preciso articular a política de EJA a outras políticas. Afinal o mito de que a alfabetização por si só promove o desenvolvimento social e pessoal há muito foi desfeito. Isolado o processo de alfabetização não gera emprego, renda e saúde. (VIERA, 2004, p. 85-86)
Portanto, ao passo que a sociedade de desenvolve, aparece a necessidade de escolarização e isso é importante que aconteça, pois a educação de adultos favorece a educação das crianças e dos adolescentes porque quanto mais os pais estudam mais consciente ficam da importância da educação e mais contribuirão para que seu filho permanecem na escola. O que vai gerar um processo de desenvolvimento intelectual no país já que todos caminham na mesma direção, no sentido da busca pelo crescimento pessoal e profissional, e, consequentemente em prol do desenvolvimento do país.
Apesar de não haver continuidade nos programas ao longo dos tempos, a Educação de Jovens e Adultos está sempre sendo buscada, com o objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi feito, mas ainda há o que fazer. Não se pode acomodar com os avanços já conseguidos, é necessário vislumbrar novos horizontes na busca total da erradicação do analfabetismo em nosso país, pois, a educação é direito de todos.

3 CONCLUSÃO

O trabalho apresentado, oferece informações relacionadas à Educação de Jovens e Adultos, informações estas que vão possibilitar o conhecimento a esse respeito. Podemos, então relacionar alguns aspectos sobre a EJA apresentados neste estudo, como, a necessidade de implantação de sistemas de ensino que favoreçam o ensino a indivíduos que não tiveram acesso ou permanência no sistema formal de ensino a escola, apresentando a realidade deste segmento no sistema educacional brasileiro, destaca ainda, a importância da formação do professor e suas praticas de ensino na EJA, e como estas influenciam na qualidade do ensino neste segmento.
Ao longo dos anos a tecnologia e a economia tem feito com que as pessoas sintam a necessidade de retomar a sala de aula para aprimorar seus conhecimentos ou conseguir um diploma atestando uma escolarização mais elevada.
Percebemos também que a EJA é indiscutivelmente uma educação possível, ou melhor, imprescindível. E que o fato do atraso para o ingresso na educação formal não é motivo para o não ingresso mesmo que tardiamente, uma vez que a educação é um processo continuado a atemporal.
É importante lembrar que todos podem e devem contribuir para o desenvolvimento da EJA: os governantes devem implantar políticas integradas para EJA, as escolas devem colaborar com projetos adequados para seus próprios alunos e não seguir modelos prontos, os professores devem estar sempre atualizando seus conhecimentos. À sociedade cabe contribuir com a EJA não discriminando esta modalidade de ensino e seus alunos, e por fim, as pessoas em geral que conhecerem um adulto analfabeto deve falar da importância da educação e incentivá-los a procurar uma escola da EJA.

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