terça-feira, 26 de julho de 2011

Literatura Infantil e Infanto-Juvenil - A importância da literatura para o desenvolvimento da criança e do adolescente


Literatura Infantil e Infanto-Juvenil
A importância da literatura para o desenvolvimento da criança e do adolescente

1 INTRODUÇÃO

A literatura é o primeiro passo para uma educação de qualidade, por isso deve ser introduzida desde os primeiros anos de vida da criança e mais trabalhada quando inicia seu ciclo estudantil.
É a partir da literatura que a criança ira desenvolver seu lado imaginário, e começara a compreender sobre o bem e o mal.
Atualmente o mercado tem introduzido novas formas de leitura, que por muitos estudiosos não é considerada a melhor opção, mas é importante os pais e professores saberem trabalhar com esse tipo de literatura.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Leitura e Literatura

Ler em grego é legei que significa colher, recolher, juntar.No latim transformou-se em lego, legis, legere – juntar horizontalmente as coisas com o olhar. Os latinos também utilizavam à palavra interpretare para ler, mas com um significado mais profundo, o de ler verticalmente, sair de um plano para outro, de forma transcendente. Nesse sentido, a leitura ultrapassa o passar de olhos por algo, mas vai além do visualizar, aventurando-se no desconhecido para uma plena compreensão do sentido das coisas.
A leitura é uma das grandes conquistas da humanidade, ela é o maior elemento da civilização e se configura como um meio de aquisição do que ocorre ao redor do homem.
“[...] o ato de ler é um processo abrangente e complexo e compreensão e intelecção do mundo que envolve uma característica essencial e singular ao homem: a sua  capacidade simbólica de interagir com o outro pela manifestação da palavra. (BRANDÃO e MICHELETTI,1997, citado por BORGES 2005).”
Com base na declaração de Brandão, pode-se afirmar que ler é uma atividade ampla, em que o leitor deve também interpretar o mundo em que si vive, pois no contato de um leitor com um texto estão envolvidas questões culturais, políticas, históricas e sociais presentes nas várias formas de tradição.
Conforme Bianchini citado por Souza (2003): “quando lemos, associamos as informações lidas à grande bagagem de conhecimentos que temos armazenada em nosso cérebro e, naturalmente, somos capazes de interpretar, criar, imaginar e sonhar.”
Por isso é importante que o leitor compreenda o material lido, senão tudo ficara armazenado na memória sem uso, ate que se tenham condições e conhecimento necessário para utilizá-los.
A leitura representa para o leitor uma ponte em que se liga o mundo lingüístico com o real, permitindo que o homem revele novos propósitos de reflexão e de escolha por determinadas opções de leitura.
Segundo Cunha,1994,citado por Borges,2005 “[..] a leitura é uma forma altamente ativa de lazer. Em vez de propiciar, sobretudo, repouso e alienação, como ocorre com formas passivas de lazer, a leitura exige não só um grau maior de consciência e atenção como também uma participação efetiva do recebedor-leitor.”
O habito de ler é importante, pois alem de ser uma forma de lazer é um meio de aprendizado, pois lendo o homem se mantém atualizado sobre os assuntos a sua volta.
A sociedade, hoje tem mais acesso a palavra escrita do que antes, seja através da escola, de produtos de consumo e ate mesmo dos meios de comunicação, mas o que afeta a humanidade é a ausência desse material escrito o que acarreta o impedimento de uma sociedade leitora. Ser leitor, portanto não é questão de opção e sim de oportunidade.
“A não acessibilidade ao livro e à leitura a todas as classes sociais é uma falha no processo de socialização do indivíduo, pois a capacidade de interpretar o código escrito e de usufruir a beleza das palavras é essencial à dignidade humana em uma sociedade que privilegia a escritura e que se afasta da oralidade. A iniciação estética proporcionada pelo livro leva o indivíduo à insatisfação com o cotidiano e faz nascer nele o desejo de mudança de uma vida medíocre para uma vida plena."(CALDIN,2003)
Com o habito da leitura o individuo se encontra em um mundo mágico, cheio de surpresas e mistérios o que acaba propiciando o desejo de mudança. É a exploração da fantasia e da imaginação que estimula a criatividade e fortalece a interação entre o leitor e o texto.
A leitura é um dos meios mais importantes de chegar ao conhecimento, portanto saber ler é necessário para subjugar toda a riqueza que um texto pode transmitir, a compreensão dos detalhes de um texto é extremamente importante para que o leitor possa construir o seu próprio entendimento daquilo que leu.
“A literatura infantil não pode ser utilizada como um "pretexto" para o ensino da leitura e para o incentivo à formação do hábito de ler. Para que a obra literária seja utilizada como um objeto mediador de conhecimento, ela necessita estabelecer relações entre teoria e prática.”(BORGES,2005)
A literatura deve além de atingir e influenciar o público adulto privilegiar os textos direcionados às crianças, esses textos tem o intuito de modificar o comportamento e reforçar os valores sociais.
Bamberger (1988), citado por Souza (2003), diz que: Se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seu desenvolvimento como ser humano.
Atualmente o livro infantil apresenta a realidade – os problemas sociais, políticos e econômicos. Desse modo, continua a transmitir emoções, a despertar curiosidade e a produzir novas experiências. Por outro lado, desempenha uma importante função social que é fazer com que a criança perceba intensamente à realidade que a cerca.
A função social da literatura é facilitar que o homem compreenda e libertar-se das regras que a sociedade lhe impõe.
Os primeiros contatos da criança com o livro despertam o desejo de concretizar o ato de ler, facilitando o processo de alfabetização. A possibilidade de que essa experiência sensorial ocorra será maior quanto mais frequente for o contato da criança com o livro.
“[...]com relação à leitura e à literatura infantil, pais e professores devem explorar a função educacional do texto literário: ficção e poesia por meio da seleção e análise de livros infantis; do desenvolvimento do lúdico e do domínio da linguagem; do trabalho com projetos de literatura infantil em sala de aula, utilizando as histórias infantis como caminho para o ensino multidisciplinar.” SOUZA(2003)
Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. A construção de um adulto leitor ocorre ainda na infância, através do contato com as histórias contadas pelos adultos, pelo contato com os livros, com variedade e qualidade de temas expressando respeito à criança e a sua inteligência.

2.2 Origens da literatura

“Estudiosos de todos os pontos da terra têm tentado descobrir os misteriosos caminhos seguidos pela literatura que, vindas da origem dos tempos, chegou até nós.” (COELHO, 1981)
Segundo Abramovich (2001, pg. 120): “a literatura atravessa todas as geografias, mostrando toda a força e a perenidade do folclore dos povos, a Cinderela por exemplo, no século IX d.C. já era contada na China, assim ocorre com tantas outras, essas histórias vem perpetuando há milênios”.
Já Albino, afirma que:
Tendo surgido como reflexo de algumas transformações sociais, a literatura infantil, desde sua origem, instiga uma reflexão que procura definir seu estatuto no contexto das artes em geral. Tal preocupação deve-se à especificidade do gênero que, destoando de outras formas de manifestação artística, já nasce com uma destinação precisa, definida pelo adjetivo que o caracteriza.
Associada a acontecimentos de fundo econômico e social, a origem da literatura para crianças ocorre no século XVIII, período em que a Revolução Industrial é deflagrada. Em substituição aos grandes senhores feudais, a burguesia se afirma como classe social urbana, incentivando a consolidação de instituições que a ajudem a atingir as metas desejadas. Entre essas instituições, destacam-se a família e a escola.
Se até o século XVII a criança era vista como um adulto em miniatura, a partir do século XVIII adquire um novo status, determinando a valorização dos laços de afetividade e não mais de parentesco e herança conforme previa o sistema medieval. Detentora de um novo papel na sociedade e vista agora como um ser frágil,desprotegido e dependente, a criança passa a ser alvo de valorização e de proteção, sendo separada da hostilidade do mundo adulto ao qual tinha antes livre acesso. Esse protecionismo redunda em isolamento, tornando necessário o surgimento de instituições que preservem o lugar do jovem na sociedade e sirvam de mediação entre a criança e o mundo. É, nesse contexto, que surge a escola.
Produto da industrialização e, portanto, sujeito às leis do mercado, o livro passa a promover e a estimular a escola, como condição de viabilizar sua própria circulação e consumo. Nesse sentido, sua criação, visando a um mercado específico cujas características precisa respeitar e motivar, adota posturas, por vezes, nitidamente pedagógicas e endossa valores burgueses a fim de assegurar sua utilidade.
Embora a literatura infantil tenha surgido no século XVIII, foi somente no século XIX que, relativizando, ainda que de maneira incipiente, o flagrante pacto com as instituições envolvidas com a educação da criança, ela define com maior segurança os tipos de livros que mais agradam aos pequenos leitores, determinando suas principais linhas de ação: histórias fantásticas, de aventuras e que retratem o cotidiano infantil. Descoberto e valorizado esse interesse, o gênero ganha consistência e um perfil definido por meio do trabalho dos autores da segunda metade do século XIX, garantindo sua continuidade e atração.
De acordo com Novaes (1981):
Na impossibilidade de tocar a verdade, o homem levantou hipóteses, a partir dos “documentos” encontrados em várias regiões do globo. Inscritas em pedras, tabuinhas de argila ou de vegetal, em papiro ou pergaminho, em rolos ou folhas presas por um dos lados, e finalmente em grossos livros manuscritos (por vezes fechados com grandes cadeados)... as palavras ditas há milênios alcançaram os homens dos nossos tempos.
A partir dessas hipóteses alguns estudiosos que decifraram parte dessa escrita primitiva, tais inscrições estariam ligadas a antigos rituais. Descobriu-se, assim, que a palavra desde sempre impôs-se aos homens como algo mágico, como um poder misterioso que tanto poderia proteger como ameaçar, construir ou destruir.
A proliferação da literatura no Ocidente europeu, durante os séculos medievais, surge uma copiosa literatura narrativa que vem de fontes distintas: uma popular e outra culta.
“Conforme estudiosos, foi entre os séculos IX e X que, em terras européias, começa a circular oralmente uma literatura popular que, séculos mais tarde, iria transformar-se na literatura hoje conhecida como folclórica e também como literatura infantil”.(COELHO,1981)
A literatura infantil brasileira nasce apenas no final do século XIX. Mesmo nesse momento, a circulação de livros infantis no país é precária e irregular, representada principalmente por edições portuguesas que só aos poucos passam a coexistir com as tentativas pioneiras e esporádicas de traduções nacionais.
Esse processo, porém não é gratuito: no final do século XIX, vários elementos convergem para formar a imagem do Brasil como um país em processo de modernização,entre os quais se destacam a extinção do trabalho escravo, o crescimento e a diversificação da população urbana e a incorporação progressiva de levas de imigrantes à paisagem da cidade. Visto que essas massas urbanas começam a configurar a existência de um virtual público consumidor de produtos culturais, o saber obtido por meio da leitura passa a deter grande importância no emergente modelo social que se impõe, fazendo com que a escola exerça um papel fundamental para a transformação de uma sociedade rural em urbana. (ALBINO)
Como elementos auxiliares nesse processo, os livros infantis e escolares são dois gêneros que saem fortalecidos das várias campanhas de alfabetização deflagradas e lideradas, nessa época, por intelectuais, políticos e educadores, abrindo espaço, nas letras brasileiras, para um tipo de produção didática e literária dirigida especificamente ao público infantil.
Aberto esse campo, começa a despontar a preocupação generalizada com a carência de material de leitura adequado às crianças do país as quais contavam apenas com adaptações e traduções dos clássicos infantis europeus que, muitas vezes, circulavam em edições portuguesas cujo código lingüístico se distanciava bastante da língua materna dos leitores brasileiros. Em função da necessidade do abrasileiramento dos textos, aumentando sua penetração junto às crianças, o início da literatura infantil brasileira fica marcado pelo transplante de temas e textos europeus adaptados à linguagem brasileira.
Transformando o movimento de nacionalização em nacionalismo, a literatura lança mão, para a arregimentação de seu público, do culto cívico e do patriotismo como pretexto legitimador, conceitos que se manifestam por meio da exaltação da natureza, da grandeza nacional, dos vultos e episódios históricos e do culto à língua pátria. 
Nesse sentido, se por um lado à preocupação com o destinatário infantil motivou a adaptação que fez esses textos afastarem-se dos padrões europeus; por outro, o compromisso escolar e ideologicamente conservador atribuiu a essa literatura a função de modelo. (ALBINO)

2.3 Literatura e inclusão

O ato de contar histórias é muito apreciado pelas crianças. Acredita-se que com as fábulas é possível trabalhar os valores humanos com os alunos, conduzir as crianças não só à aprendizagem, mas permitir que o aluno compreenda os aspectos positivos e negativos que elas podem conter.( Cristofolini e Silva, S/D)

Segundo Martins (2002) citado por Souza e Amarilha, “o processo de inclusão (ou integração total) implica na adaptação da instituição escolar para atender às necessidades especiais dos alunos. Então, é função da escola: conciliar o ensino com esse trabalho de inclusão, sem precisar, necessariamente, prescindir de ações pedagógicas importantes, como é o caso das práticas leitoras.”
Frente a essa necessidade, emergem muitas responsabilidades para os educadores que se propõem a incluir alunos especiais a ações significativas de ensino-aprendizagem, sem negligenciar sua formação leitora. Assim, o profissional da educação pode perceber o ensino de leitura e Literatura como prática necessária aos alunos que possuem necessidades educacionais especiais. (Souza e Amarilha)
“Como se sabe, a Literatura Infantil vem se consolidando, ao longo dos anos, ‘num dos mais eficazes instrumentos de formação da criança’” (COELHO, 1991, p.320, citado por Souza e Amarilha)
Nota-se então que a Literatura é um dos mais eficazes meios de se trabalhar com alunos que possuem necessidades especiais.
Dentro de uma perspectiva psicanalítica, Brunno Bettelheim (2004), coloca-se a favor do texto literário, principalmente dos contos de fadas para o desenvolvimento psíquico e compreensão dos conflitos na infância. Segundo o autor, os elementos presentes nos contos de fadas sugerem “imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida” (BETTELHEIM, 2004, p.16). De modo específico, a Literatura atende a uma necessidade dos alunos especiais ao contribuir com a formação de sua identidade.
Dessa forma, a Literatura Infantil, mais precisamente o conto de fadas, ao tratar com profundidade de problemas da vida, torna-se veículo privilegiado para tratar de articulações entre Literatura e Educação Inclusiva, pois traz a discussão dos conflitos humanos de maneira única e expressiva. Essa peculiaridade atribui à Literatura Infantil elementos que despontam a possibilidade de pensar a diferença, sob diversos aspectos. (Souza e Amarilha)
De acordo com Souza e Amarilha,: Assim como a literatura aborda o diferente, também desperta o diferente: o que revela que o contato precoce com situações dramáticas materializadas na leitura de Literatura é um importante caminho para a compreensão das diferenças e desigualdades sociais. A esse respeito Amaral (1994, p.62) reconhece que
O apontar e o refletir sobre os preconceitos, os estereótipos, o estigma, as superações, os conflitos – propiciados por uma leitura crítica, reflexiva, dos textos onde a idéia da diferença está presente – é caminho sólido e duradouro.
Segundo Souza e Amarilha: Outros estudiosos têm privilegiado a leitura de Literatura Infantil, no trabalho com crianças que possuem necessidades especiais. Pereira (2000) ressalta a importância de sessões de leitura crítica para o desenvolvimento psicossocial de alunos cegos. Suas pesquisas apontam a leitura de Literatura como um instrumento útil, que oferece aos indivíduos com necessidades especiais a possibilidade de formação intelectual, necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades. .
De acordo Abramovich, 2001:
Ouvir histórias é uma grande possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos – dum jeito ou de outro – através dos problemas que vão sendo defrontados, enfrentados (ou não) resolvidos (ou não) pelas personagens de cada história (cada um a seu modo) é a cada vez ir se identificando com outra personagem (cada qual no momento que corresponde àquele que está sendo vivido pela criança) [...]
Dessa forma ZARDO; FREITAS, 2004, citado por Souza e Amarilha, afirma que
A literatura infantil pode ser o cerne da construção de uma educação inclusiva, pois operando a partir de sugestões fornecidas pela fantasia e imaginação, socializa formas que permitem a compreensão dos problemas e demonstra-se como ponto de partida para o conhecimento real e a adoção de uma atitude que valorize as diferenças e as particularidades.

2.4 Conto de Fadas: realidade ou fantasia

Segundo Domingues e Niederaue (2005),
Desde suas origens, a literatura infantil, que antes pertencia à esfera da literatura popular, utiliza-se de um elemento que prende a atenção de seus ouvintes/leitores – o maravilhoso. Através do encantamento que ele promove, a fantasia ganha espaço, provocando, na criança, a imaginação que a faz transcender a realidade, sonhar e depois regressar e transporta para sua vida exterior as experiências que adquiriu e que facilitarão seu convívio social.
De acordo com Machado (1994): existe aquele tipo de história em que o encantamento ocorre em qualquer circunstância, pois o elemento mágico está presente em toda parte. Mas há, também, um tipo de conto maravilhoso em que as transformações são privilégios de alguns seres encantados, dotados de poderes sobrenaturais. As narrativas mais significativas deste modelo são as histórias dos contos de fadas. São histórias que, como o próprio nome diz, se concentram nos poderes mágicos da fadas, dos magos ou de algum outro ser dotado de poderes sobrenaturais.
O psicólogo Bruno Bettelheim (1980) citado por Domingues e Niederaue afirma que:
A criança precisa descobrir sua identidade para compreender o mundo exterior e, para isso, os contos de fadas assumem um papel importante ao dirigirem-se a ela. Estas narrativas, através dos símbolos e encantamento, estão ligadas eternamente aos questionamentos enfrentados pelo homem ao longo do seu amadurecimento emocional e agem na mente, trabalhando os conflitos correspondentes a cada fase da vida.
De acordo com Machado (1994), referente a estrutura do conto de fadas:
Todo conto de fadas apresenta histórias de príncipes e princesas – os heróis – que vivem problemas terríveis criados por seres malévolos – as bruxas –, mas, felizmente, contam com os seres mágicos: fadas, magos, anões. Por isso os conflitos são provocados por uma intenção maldosa contra uma pessoa de bem e só se resolvem pelo encantamento. O herói sofre a perseguição do mal – bruxa –, o que faz aumentar o conflito até o final, quando a virtude triunfa e o ser malévolo é impiedosamente castigado. Assim, tudo termina com final feliz.
Segundo Domingues e Niederaue (2005), os contos de fadas abordam temas que provocam pressões internas e levam a criança, a partir de suas mensagens, a entender que os problemas e dificuldades existem, mas é preciso enfrentá-los, pois, no final, encontrará uma solução e terá sucesso. As histórias maravilhosas oferecem à criança uma organização no seu inconsciente e lhe dão uma melhor visão daquilo que elas não entenderiam sozinhas, desempenhando o papel de apoiá-las e orientá-las em suas vivências.
De acordo com Bettelheim (1980) citado por Domingues e Niederaue (2005),
Ao contrário do que acontece em muitas estórias infantis modernas, nos contos de fadas o mal é tão onipresente quanto a virtude. Em praticamente todo conto de fadas, o bem e o mal recebem corpo na forma de algumas figuras e de suas ações, já que bem e mal são onipresentes na vida e as propensões para ambos estão presentes em todo homem. É esta dualidade que coloca o problema moral e requisita a luta para resolvê-lo.

Bettelheim defende a presença do mal nas histórias infantis, pois se o mal for valorizado na mesma medida que o bem, a criança perceberá que, na vida real, é preciso estar preparada para enfrentar as dificuldades e incentivá-la a correr os riscos, suportando os obstáculos com otimismo até chegar a um final feliz.
A literatura infantil trabalha a compreensão do real e concede à criança a possibilidade de organizar as experiências adquiridas no universo fantástico do “era uma vez”. A presença de elementos mágicos e de recursos da fantasia conquista o leitor que não só acompanha, mas vivencia a história com as personagens. ( Domingues e Niederaue, 2005)
Coelho (1981) diz que o maravilhoso é o elemento mais importante da literatura infantil e que ele está ligado aos eternos dilemas que o homem encontra no seu processo de amadurecimento emocional, que parte da fase egocêntrica até a sociocêntrica, quando a criança começa a lutar para atingir sua independência.
De acordo com Domingues e Niederaue (2005):
A história infantil assume um papel social, auxiliando na formação da criança que passa a deparar-se com uma realidade, muitas vezes, cruel. O maniqueísmo (bem x mal) contido nas histórias ajuda a criança a compreender a realidade ao distinguir certos valores que regem uma sociedade. Os contos de fadas abordam, desde suas origens, valores que são perenes na vida social, e o conteúdo, nas histórias, é pontuado em “bom” e “mau”, “certo” e “errado”, enfatizando o significado dessa dicotomia que é realçada pela linguagem simbólica das narrativas.

2.5 Best sellers: literatura de mercado

De acordo com o estudo de Lair: Uma das questões mais discutidas atualmente, pelos cientistas que analisam os efeitos da literatura de massa, conhecida também como os best sellers é o que pode estar ocasionando sobre os seus leitores, se acrescenta algo positivo à sua vivência, além da satisfação da necessidade de lazer, ou se, ao contrário, a ação é uma tentativa de escapar da dura realidade do dia-a-dia, através de um mecanismo de evasão. 
Segundo o seu estudo
as críticas feitas à Literatura de Massa, é de que ela se inclui nos produtos da Cultura de Massa, recebendo, portanto as mesmas críticas a eles direcionada, no que se refere aos efeitos sobre os consumidores. São considerados instrumentos de dominação, muito eficazes, uma vez que homogeneízam os gostos, inibindo o questionamento e a criatividade, além de transmitir o discurso da classe dominante, induzindo o leitor à nele acreditar como sendo o mais correto.
Lair considera que: à
De acordo com a Revista Educar para Crescer: Crianças e adolescentes adoram livros comerciais, mas torcem o nariz para os livros indicados pela escola. A obsessão pelos best-sellers, porém, não é motivo para preocupação.
Segundo Lair:
A Literatura de Massa não está para tomar o lugar da Literatura Culta, mas sim vem preencher uma lacuna deixada por ela. A lacuna é uma grande quantidade de pessoas que consideram a Literatura Culta hermética e complexa, mas sentem prazer na leitura. O leitor de hoje teve contato precoce com os meios áudio-visuais (televisão, cinema, etc.), esse contato segundo Ligia Averbuck (1984, p. 182) produziu mudanças significativas na estrutura da literatura: “A literatura, como forma romanesca ou outra, não cessará de existir, mas, por causa do áudio-visual, a relação das pessoas com o livro, com a leitura, sofrera uma transformação completa, radical.” A Literatura de Massa veio acompanhando essa evolução dos meios de comunicação de massa. Talvez seja por isso que a maioria dos livros são transformados em filmes ou se tornem seriados de TV.
Da mesma forma que todos os produtos da cultura de massa, a Literatura de Massa sofre sérias restrições quanto a sua qualidade estética. É justamente no plano estético que está a principal diferença entre essas duas literaturas.
Segundo Caldas (2000), “No plano empírico, pode-se até abstraí-los sem qualquer prejuízo, mas quando se trata da discussão teórica da literatura, se, então, não há como prescindir deles.” É nesse momento que a Literatura Culta e a Literatura de Massa serão devidamente analisadas e suas diferenças serão constatadas.
De acordo com a Revista Educar para Crescer: “os best sellers são criticados pelos estudiosos da Literatura, livros como as séries de Harry Potter ou Crepúsculo são uma ótima porta de entrada da leitura para os jovens.”
Segundo a Revista:
Se com relação ao estímulo à leitura na infância o papel dos pais é mais relevante, na adolescência o professor tem papel fundamental para desenvolver este hábito. Principalmente quando ela é obrigatória para, por exemplo, ingressar na universidade. “A gente vira um contador de histórias ali na frente”, afirma o professor de Literatura do Curso Positivo Braz Ogleari. “Eu faço um resumo da história, do enredo. É como se fosse um trailer de cinema, que as pessoas assistem e depois querem ver o filme. Eu faço o mesmo com as obras literárias. Eu apresento as partes mais importantes para eles com suspense e dramaticidade. Também reforço a sensualidade dos personagens. Eles ficam curiosos e acabam lendo as obras pela própria vontade.”
Segundo a repórter, Cynthia Costa, da Revista Educar para Crescer: Os alunos gostam do clássico Harry Potter, pois se passa em uma escola, por isso tem o ensino e a relação entre professores e alunos como um dos focos da narração.
De acordo com ela, “uma discussão sobre o sistema de ensino pode acontecer a partir dessa experiência de leitura”.
Dessa forma ela afirma que: pais e professores podem seguir dois caminhos: incentivar jovens leitores a se interessarem também por uma literatura mais consistente e, ao mesmo tempo, aproveitar a leitura deles de best-sellers para abordar temas em casa e na escola. A seguir, veja dicas de como estimular o jovem expandir sua experiência literária.

3 CONCLUSÃO

Este trabalho teve o intuito de demonstrar como a literatura é importante para o desenvolvimento da criança e do adolescente.
A leitura ensina a criança a perceber e criar um mundo totalmente mágico, desenvolvendo processos de aprendizagem sobre o bem e o mal e principalmente lutar pelos seus ideais, mesmo que estes pareçam distantes e difíceis.
O habito de leitura é também uma forma de interação, entre o leitor e o mundo, fazendo com que o leitor possa viver em sociedade, cumprindo as exigências do mundo moderno.
Atualmente o mundo introduziu no mercado, uma nova forma de literatura, a literatura em massa, também conhecida como best sellers. Vários estudiosos consideram que esse tipo de leitura não é adequada, pois o individuo passa a viver num mundo de alienação.
A Literatura de Massa esta interligada aos meios de comunicação, muitos estudiosos acham, que talvez seja por isso que a maioria dos livros são transformados em filmes.
Muitos alunos tem deixado de ler clássicos literários substituindo-os pelos best sellers, pois segundo pesquisadores encontram semelhanças no mundo real, por isso é importante a presença dos pais e professores quanto a importância da literatura.

Referências Bibliográficas

CALDIN, Clarice Fortkamp. A função social da leitura da literatura infantil. Encontros Bibli (UFSC), Florianópolis, 2003.
SOUZA, Renata Junqueira. A importância da leitura e literatura infantil, 2003.
Borges, Patrícia Ferreira Bianchini. A leitura e a construção do leitor em potencial, 2005 Disponível em: http://www.vestibular1.com.br/revisao/leitura_construção.doc acessado 26/03/2010
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices, 5° ed. São Paulo: Scipione, 2001
COELHO, Nelly Novaes, A literatura infantil: história—teoria—análise (das origens orientais ao Brasil de hoje), São Paulo: Quíron, Brasília:INL, 1981
ALBINO, Lia Cupertino Duarte. A literatura infantil no Brasil: origem, tendências e ensino. Disponível em: www.litteratu.com/literatura_infantil.pdf - acessado 03/05/2010
SOUZA, Danielle Medeiros e AMARILHA, Marly. Literatura infantil e diversidade: construindo caminhos para a inclusão escolar. S/D.
Disponível em: http://www.alb.com.br/anais16/sem08pdf/sm08ss02_07.pdf acessado 15/06/2010
CALDAS, Waldenyr. Literatura da cultura de massa. São Paulo, Musa Editora, 2000.
Domingues, Carla Medianeira Costa, Niederauer, Silvia Helena Domingues. História infantil: do imaginário ao real – desenvolve valores e desperta a criatividade. 2005 Disponível em: http://sites.unifra.br/Portals/36/ALC/2005/historia.pdf acessado 18/06/2010
MACHADO, Irene A. Literatura e redação. Gêneros literários e tradição oral. 1. ed. São Paulo: Scipione, 1994.w

COSTA, Cynthia. Best-sellers adolescentes, Revista Educar para Crescer, 2009.

Um comentário:

  1. Como se faz referências desse texto? Quem é o autor? Qual o ano de publicação. Tem o ano de post, mas não sei o de publicação. Onde ele foi produzido?
    Obrigada!
    Lillian.

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